Para Trânsito restrito - por Marco A. Souto Maior

A versão Chassi-Cabina da Transit chega em abril para reforçar a linha, e com a missão de elevar a participação de mercado de 7,5% para 14%

Imagine-se o tamanho do espeto. Colocar um produto im-por-ta-do da Turquia no mercado brasileiro com o dólar variando na casa dos R$2,40. Pois foi este o cenário enfrentado pelos executivos da Ford Caminhões no início das vendas da linha Transit, em janeiro de 2009.

A complicação foi bem maior: em meio aos respingos da maré baixa do ano anterior e, ainda, contando com a pouca prática de uma rede de concessionárias que nunca havia atuado no segmento de vans de passageiros e furgões de carga. Sem acrescentar o absoluto desconhecimento dos clientes sobre a novidade.

Obstáculos imprevisíveis em decisões tomadas dezenas de meses antes. Enfim, era lançar ou lançar. Desse modo, o diretor de operações de caminhões Oswaldo Jardim e seu time não tiveram outro jeito senão enfrentar os refluxos da maré.

É certo que, em tais condições, não atingiram a meta inicial de vender 2.900 unidades da Transit em 2009. Ficaram à menos da metade do caminho. Ainda assim, com mil veículos comercializados, atingiram a distinta marca de 7,5% de participação no mercado desses utilitários, digamos, mais parrudos. Jardim se diz satisfeito:

"O desempenho está dentro da nossa expectativa. A curva ascendente de vendas em um segmento novo para a Ford, neste primeiro ANP mostra o acerto de nossa estratégia, mesmo com os percalços de um momento econômico ruim."

Ele computa não apenas o câmbio e a crise, como também a forte concorrência em um segmento crescente e a falta de tempo para a homologação de veículos especiais como ambulância.

"Passamos o primeiro semestre de 2009 entendendo melhor os meandros do mercado e começamos a colher os frutos apenas a partir do segundo semestre."

Os gráficos de emplacamentos apontam mesmo para isso. A partir de agosto a Transit embalou as vendas à base de uma centena e tantas por mês, e fechou dezembro com 183 unidades vendidas, quantidade que deixou o utilitário com 20% mais em vendas do que a ferrenha concorrente Sprinter 311 da Mercedes-Benz.

O diretor de operações da Ford credita esta virada ao câmbio favorável e, muito mais, ao boca a boca entre clientes, cuja experiência positiva é transmitida rapidamente em nichos especializados como esse. E a partir do embalo de 2009 traça novas metas para 2010:

"Queremos conquistar 14% de participação no segmento, que neste ano deverá encerrar com vendas na casa das 23 mil unidades, incluindo os modelos pequenos."

Para isso, buscou um novo esforço na linha Transit: em abril chegam às concessionárias a versão chassi-cabina, anunciada durante a Fenatran do ano passado.

"Aumentaremos nossa presença no crescente segmento de entregas dos grandes centros, onde a restrição aos veículos de maior porte está se ampliando Brasil afora, começando pelas capitais."

A versão chassi-cabina tem peso bruto total de 3.500 kg, o que torna adequada para rodar nas zonas urbanas de máxima restrição à circulação de caminhões, e também não exige habilitação especial para ser dirigida. Dentro desse limite de PBT poderá utilizar carroçaria do tipo baú, carga seca e baú refrigerado, para uma capacidade de carga de 1.716 kg. Em volume, os implementos poderão variar de 18,4 m³ a 22 m³, montados sobre plataforma com opção única de entre eixos, de 3.954 milímetros.

Em configuração, um outro diferencial palpável para o furgão Transit está na capacidade do tanque de combustível, de 103 litros contra 80 litros, o que garante maior autonomia para operação urbanas ou interurbanas. Nos demais componentes é praticamente idêntica às suas predecessoras de carga e passageiros.

Tem o mesmo motor Duratec 2.0 TDCi turbodiesel com comando eletrônico, e desenvolve 115 ccavalos de potência e torque de 31,5 kgmf. É equipada com transmissão de seis marchas sincronizadas, inclusive a ré, e a sexta marcha do tipo overdrive, com relação 0,790:1.

"Traz itens de segurança de série que a maioria das concorrentes não dispõe, nem mesmo como opcional ", alfineta Oswaldo Jardim.

Preço Final - Dentre eles air-bag para motorista, freio a disco com ABS, distribuição eletrônica de frenagem e controle eletrônico de estabilidade, ESP, que corrige eventuais deslizes. Além desses vem com assistência de arrancada em rampas, HLA, que não deixa o veículo deslizar para trás após parar numa subida, e assistência de frenagem de emergência, que aumenta a eficiência dos freios em situações críticas. Encerra a lista um sistema de controle e auxílio de tração BTCS, que evita a patinação em pistas com pouca aderência.

Como as demais versões, vem equipada de série com ar-condicionado, travas, vidros e retrovisores com comando elétrico, travamento automático das portas a 8 km/h, duas tomadas de 12 volts e rádio AM/FM com MP3 e entrada auxiliar para iPod. E perfumarias outras como controles de som na barra de direção, painel com espaço para apoio de pastas e laptop, suportes para copos e onze porta-objetos. Tudo isso incluído no preço final do veículo, cujo valor será divulgado pela Ford apenas em Abril.

Voltar